Press News & Events

OPINIÃO | Portugal tornou-se um país de matemáticos!

Sexta-feira, Setembro 4, 2020 - 10:14
Publicação
O Jornal Económico

Existe uma discriminação óbvia no acesso aos diferentes cursos do ensino superior de todos os candidatos que não beneficiaram da inflação administrativa das notas nos exames específicos de ingresso.

O número de candidatos ao ensino superior subiu este ano muito significativamente. 62.657 é o número total de candidaturas ao Ensino Superior Público, só na 1ª fase do concurso nacional. O aumento da procura estende-se, aliás, às instituições de ensino superior não públicas. É preciso recuar a 1996 para encontrar números com esta dimensão.

É uma boa notícia, tanto mais que a taxa de natalidade está a cair quase continuamente desde 2000. Ter mais alunos a terminar o ensino secundário e mais alunos a concorrer e a frequentar o ensino superior – apesar de existirem menos jovens em idade escolar – é uma prioridade estratégica.

O desafio, porém, não pode ser apenas quantitativo e o caminho não pode ser o facilitismo.

Uma das razões que explica o aumento do número de candidaturas já registado este ano – além de uma diferente distribuição dos candidatos entre a 1ª e a 2ª fase – é a inflação das notas de acesso. Para os alunos, notas altas são, evidentemente, um fator de confiança numa candidatura bem-sucedida.

No pico da pandemia, o Governo decidiu que este ano não se realizariam os exames nacionais das disciplinas do secundário – que constituem, como é sabido, um instrumento fundamental de correção das disparidades decorrentes dos diferentes critérios de classificação adotados pelas escolas. Os alunos fizeram, portanto, apenas os exames específicos de ingresso no ensino superior, relevantes para os cursos a que se candidataram.
 

Jorge Pereira da Silva, Diretor da Escola de Lisboa da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa